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Pericorese: A dança da Trindade como base da intencionalidade cristã



Você já dançou alguma vez? Já foi convidado por alguém para dançar? Talvez isso tenha caído de moda. Me refiro aquele convite feito por alguém que você ama, seu cônjuge, namorado, pai, mãe. Mas, e se você fosse convidado a dançar com alguém capaz de entregar sua vida por você? Como se sentiria?


Vamos conversar aqui sobre Trindade e Intencionalidade.


Acredito que falar e pensar sobre a trindade deve ser uma tarefa de todo cristão. Meditar sobre ela é de suma importância, porém sabendo que talvez não a entenderemos completamente. Minha intenção aqui e nos próximos textos é trazer reflexões a respeito da intencionalidade do cristão. Neste primeiro, tentaremos pensar sobre a motivação por trás de cada intenção do cristão e qual a base dessa motivação.


A criação do mundo foi pensada e arquitetada com um propósito principal, glorificar o Pai, o Filho e o Espírito, em especial o Filho, pois Deus desejou "fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão no céu como as que estão na terra." Efésios 1.10. Nascer nessa terra, apesar dos males do pecado, é uma dádiva. Essa dádiva foi arquitetada por um Deus trino. O mundo, a criação, a vida, nasceram de um transbordar de amor da trindade.


Pois bem, teólogos mais antigos desenvolveram teses e pensamentos a respeito da trindade, destaco aqui uma ideia especial que nos ajuda entender um pouco sobre isso.


Pericorese é o nome dado a uma dança, onde normalmente crianças de mãos dadas dançavam de maneira circular, uma criança ficava no meio enquanto as outras ficavam girando ao seu redor em círculo, e em certo momento a criança que estava no meio vinha para a roda e alguma da roda vinha para o meio. A Trindade é um mistério ainda discutido pelos cristãos, acredito particularmente que ainda será na eternidade. A bíblia deixa claro os aspectos gerais, Deus é um em essência, mas se apresenta em três pessoas, Pai, Filho e Espírito. Essa discussão histórica, desde os pais da igreja tem sido tema de variadas obras teológicas. Em algum momento da vida cristã temos que parar e pensar sobre ela, adorá-la, entendendo que nossa razão não é capaz de entendê-la por completo.


Então, a explicação inicial é que o Deus trino é completamente perfeito e completo em sua relação amorosa e intensa entre Pai, Filho e Espírito. Esse Deus não tinha nenhuma necessidade de criar o homem ou o universo para se completar como se lhe faltasse algo. Mas a criação é um convite, um convite a todos os homens para entrar em uma dança, a dança da trindade, e participar da felicidade da vida.


Mas isso tem mais significado quando entendemos a nova criação em Cristo, o Deus trino não nos chama apenas uma vez na criação, Ele nos chama novamente nos dando uma nova vida, agora conectada a Cristo, garantido por sua obra, o filho do seu prazer, agora, de que de uma vez por todas estaremos com Eles nessa dança.


Então, quando entendemos isso, percebemos uma intencionalidade do criador, Ele foi intencional ao nos criar, sem precisar de nós, nos chamou para participar da dádiva da vida, nos chamou em Cristo para a nova criação, nos chama na cruz nos dando vida em sua morte. Depois de entender essa obra magnífica, nossa criação e redenção, como não participar dessa dança? E mais, como não chamar a outros intencionalmente para participar? Fato é, o cristianismo é essencialmente comunitário, pois o próprio Deus é em essência doador da vida e se importa conosco, em nossa pior condição, inimigos dEle.


Qual sua motivação para ser intencional com seu irmão?


Se somos amados na criação do Deus Trino, chamados por Ele para a nova criação, se somos chamados para sermos instrumentos dEle na missão de convocar a todos os homens que se arrependam de seus pecados e entrem na maravilhosa dança da vida eterna, como não convidar outros nessa dança? O filho veio intencionalmente em nosso favor, Deus nos chama para si intencionalmente, nossa missão agora é transbordar em amor chamando outros e mostrar a beleza de seu reino eterno sendo intencional com nosso próximo.


Reflexão: Você já foi intencional hoje?

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